sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Mostra Brasil em Foco: realidades diversas

Em setembro o Cine Rapadura realizou a mostra Brasil em Foco: realidades diversas. O objetivo da mostra foi aguçar o olhar e promover discussões sobre as diversas realidades dos interiores e das capitais do Brasil afim de refletir em que medida essas realidades tao diversas interferem na vida individual e coletiva dos sujeitos.
Foram exibidos os filmes Narradores de Javé, Cinema aspirinas e Urubus, O Invasor e Amarelo Manga.

O Cinema Brasileiro

Paulo Miguez – Prof. CAHL/UFRB O cinema chegou ao Brasil em 1896, apenas seis meses após a sua aparição publica, em Paris, pelas mãos dos irmãos Lumière. Desde então, e por todo o Século XX - o século do cinema - não deixamos de estar presentes no mapa do cinema mundial. Entre os anos 20 e 30, com os filmes de Humberto Mauro, Ademar Gonzaga e Mario Peixoto. Nas décadas de 40 e 50, com a Vera Cruz e as chanchadas que nos legaram os nossos primeiros ídolos cinematográficos como Oscarito e Grande Otelo. Nos anos 60, com a explosão do Cinema Novo e nomes como Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Cacá Diegues e Joaquim Pedro de Andrade, dentre outros, que inscreveram o cinema brasileiro na vanguarda da linguagem cinematográfica internacional. Nos anos 70 e 80, com a Embrafilme, quando chegamos a produzir mais de cem longa-metragens por ano e exibimos invejáveis picos de bilheteria. Superado o difícil começo dos anos 90 quando, com Collor de Mello, as atividades cinematográficas (e o conjunto da cultura brasileira) experimentaram um período de inanição, o cinema brasileiro voltou a crescer e começou a retomar seu lugar na cena internacional. Nos últimos anos, podemos dizer que o cinema brasileiro vive uma fase excepcional. Produzimos cada vez mais filmes, vivemos uma fase de grande criatividade e efervescência poética com novos temas, abordagens e estilos ocupando nossastelas, ganhamos muitos prêmios, políticas públicas voltaram a ocupar-se do setor e, o que é ainda mais importante, o público voltou a aplaudir os nosso diretores e atores. Chegamos ao paraíso? Não, e certamente estamos bem longe dele. Não são poucos os desafios que o cinema brasileiro tem pela frente. Estruturar uma economia do cinema que seja capaz de enfrentar a hegemonia norte-americana, dialogar com a televisão e incorporar as possibilidades abertas pela tecnologia digital não são tarefas fáceis. Dependem, acima de tudo, da disposição e da vontade do Estado brasileiro para acionar políticas públicas que, compreendendo a importância do cinema para a vida nacional, atue na direção do desenvolvimento e consolidação de uma economia do cinema e do audiovisual no nosso país. Dependem, também, de algo que parece nunca ter faltado aos nossos trabalhadores da imagem em movimento, ou seja, a capacidade sempre viva de buscar uma maneira brasileira de ver, entender e interpretar o país e o mundo e de manter sempre acesa a chama da renovação e da invenção da linguagem cinematográfica. Portanto, apaguem a luz, a sessão vai começar, estamos (de novo e sempre) na tela. FILMES EXIBIDOS:

AMARELO MANGA. Brasil, 2003. Direção: Claudio Assis
Guiados pela paixão, os personagens deste filme vão penetrando num universo feito de armadilhas e vinganças, de desejos irrealizáveis, da busca incessante da felicidade. O universo aqui é o da vida-satélite e dos tipos que giram em torno de órbitas próprias, colorindo a vida de um amarelo hepático e pulsante. Não o amarelo do ouro, do brilho e das riquezas, mas o amarelo do embaçamento do dia-a-dia e do envelhecimento das coisas postas. Um amarelo-manga, farto.
O INVASOR. Brasil, 2001. Direção: Beto Brant
Após um desentendimento entre 3 sócios, os dois que possuem participação minoritária na empresa decidem contratar um matador de aluguel para eliminar o sócio majoritário. Dirigido por Beto Brant (Ação entre Amigos) e com Alexandre Borges, Paulo Miklos, Malu Mader, Marco Ricca, Mariana Ximenes e Chris Couto no elenco. CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS.Cinema, Aspirinas e Urubus - Brasil, 2005. Direção: Marcelo Gomes
1942. No meio do sertão nordestino, dois homens se encontram: Johann (Peter Ketnath), um alemão que fugiu da guerra, e Ranulpho (João Miguel), um brasileiro que quer escapar da seca que assola a região. Viajando de povoado em povoado, eles exibem filmes para pessoas que jamais haviam conhecido o cinema, a fim de vender um remédio "milagroso". Nesta jornada, os dois aprendem a respeitar as diferenças e surge entre eles uma amizade incomum, mas que marcará suas vidas para sempre.
NARRADORES DE JAVÉ. Brasil, 2003. Direção: Eliane Caffé A pequena cidade de Javé será submersa pelas águas de uma represa. Seus moradores não serão indenizados e não foram sequer notificados porque não possuem registros nem documentos das terras. Inconformados, descobrem que o local poderia ser preservado se tivesse um patrimônio histórico de valor comprovado em "documento científico". Decidem então escrever a história da cidade - mas poucos sabem ler e só um morador, o carteiro, sabe escrever.Depois disso, o que se vê é uma tremenda confusão, pois todos procuram Antônio Biá, o "autor" da obra de cunho histórico, para acrescentar algumas linhas e ter o seu nome citado.

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