sábado, 25 de outubro de 2008

Mostra No Mundo da Aventura

No mês de outubro o Cine Rapadura realizou a mostra No mundo da Aventura. Dedicada ao público infantil, a mostra deste mês reúne três desenhos franceses e um japonês. Apesar do foco ser o público infanto-juvenil, os filmes deste mês têm muita coisa a dizer para nós adultos, uma vez que abordam importantes temáticas como: solidariedade, sociedade de consumo, perda da tradição, multiculturalismo. Assim, o convite se estende a toda a comunidade do CFP e de Amargosa.
As exibições aconteceram na CAsA do DUCA a patir das 18h
CINEMA E FORMAÇÃO DE CRIANÇAS
Alessandra Gomes. Profª do CFP/UFRB
O filósofo e sociólogo Walter Benjamim afirmou que o cinema, pela possibilidade de reprodutibilidade e por sua característica coletiva e móbil é uma arte com forte potencial revolucionário e emancipatório. Diferente da contemplação que nos convida a pintura, a sequencia diferenciada das inúmeras imagens do cinema nos remete a sentimentos e sensações simultaneas e diversas. Do assombro e do susto, passamos imediatamente à alegria e à indignação numa velocidade tão grande de sensações que nem chegamos a darmo-nos conta dessa reviravolta afetiva que nos acomete. Antonio Candido de Mello e Souza nos diz que o contato com as diferentes manifestações da arte não é uma experiência inofensiva, mas algo que pode causar dilemas morais, éticos, políticos e sociais. Esse atributo demonstra o importante papel da arte na formação das personalidades, bem como da humanização enquanto um “processo que confirma no homem aqueles traços que reputamos essenciais, como o exercício da reflexão, a aquisição do saber, a boa disposição para com o próximo, o afinamento das emoções, a capacidade de penetrar nos problemas da vida, o senso de beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do humor”.
E na formação das crianças, como atua o cinema? Como o discernimento, ou seja, a capacidade de emitir um julgamento próprio, ainda está em processo de formação, é bem provável que o aprimoramento afetivo e intelectual oferecido pelo cinema não seja de imediato percebido, mas pode ser fundamental para a formação, sobretudo aquela que diz respeito aos valores, e para o fortalecimento, na pré-consciência, de mecanismos de resistência, como bem salientou Theodor Adorno.
E quais valores fundam uma sociedade voltada para a formação de sujeitos que sejam capazes de agir, resistir aos convites à barbárie e que se recusem a dominar o outro? Os quatro filmes selecionados para a mostra deste mês são fundamentados sobretudo nesses valores. Valores humanos – muitas vezes desgastados pelos mais diversos discursos, que servem os mais variados interesses – tão fundamentais para isso que chamamos mundo, ou seja, esse algo comum, construído pelas mãos dos novos e dos velhos. Nesses filmes são as crianças – com sua espontaneidade, curiosidade e inocência – as portadoras e difusoras principais desses valores. Isso nos leva à pergunta: por que esses diretores escolheram justamente as crianças para encarnarem tais valores? É a mesma pergunta que nos fazemos diante de Quino quando escolhe Mafalda, Liberdade, Miguelito e outros pequeninos para encarnarem os valores de nossa sociedade. É talvez, porque são eles que construirão algo novo e imprevisto – mas não sem a nossa colaboração – para nós.
Referências Bibliográficas
ADORNO, T. Educação e Emancipação. Sao Paulo, Paz e Terra, 2000.
BENJAMIN, Walter. Obras Escolhidas. Vol. 1. São Paulo, Brasiliense, 1985.
SOUZA, Antônio C. De Mello e. Educação, Cidadania e Direitos Humanos. Sao Paulo, Vozes, 2004.
FILMES EXIBIDOS: Kirikou e a feiticeiraFrança, 1998. Direção Michael Ocelot. Livre 08/10/2008
Uma tradicional lenda africana ganha vida neste longa-metragem de animação francês, que mostra a história de um menino minúsculo que enfrenta uma poderosa feiticeira. O filme conta a história de Kirikou, um menino muito pequenino, nascido numa aldeia da África Ocidental. O garotinho não alcança nem o joelho de um adulto, mas terá de enfrentar a poderosa e malvada Karaba, feiticeira que secou a fonte d’água da aldeia e engoliu todos os homens que foram
enfrentá-la.
Kirikou e os animais da florestaFrança, 2005. Direção: Michael Ocelot. Livre 15/10/2008
O filme Kirikou e os animais selvagens, que recebeu o Prêmio da Audiência no Festival Internacional - Cinema Infantil de Chicago 2006 trata-se de um garotinho africano que, literalmente, já nasceu falando. Apesar de bem pequenino, o precoce Kirikou é extremamente inteligente e nunca se deixa abater pelas dificuldades da vida. No primeiro filme, ele salva sua aldeia da terrível bruxa Karaba. A saga prossegue nesta continuação: Karaba ainda quer destruir a aldeia do pequeno africano, lançando sobre ela as mais diferentes pragas, feitiços e maldições, nesse filme, o avô de Kirikou, o minúsculo menino africano de cabelo moicano, conta quatro histórias sobre seu neto em que o garoto utilizou sua astúcia para solucionar diferentes problemas envolvendo a vida na sua aldeia, formada em sua maioria por mulheres, idosos e crianças.
A viagem de ChihiroJapão, 2003. Direção: Hayao Miyazaki. Livre 22/10/2008 Perdidos em uma viagem de mudança, Chihiro e seus pais acabam descobrindouma misteriosa passagem que os leva até um mundo mágico. É lá que a jovem Chihiro precisará enfrentar uma jornada heróica para salvar seus pais, que foram transformados em porcos. Vencedor do Oscar de Melhor Filme de Animação.

As aventuras de Azur e AsmarFrança, 2006. Direção: Michael Ocelot. Livre 29/10/2008
As Aventuras de Azur & Asmar exala o aroma das mirabolantes histórias de Scherazarde. Com direito a dois príncipes e duas princesas enfrentando o impasse de saber quem é sua verdadeira alma gêmea. Uma intriga ainda na infância separa os meninos e, na idade adulta, eles não conseguem mais se entender. Ambos ainda mantêm incutidos na lembrança, a fantasia que a mãe lhes contou sobre a princesa dos djins. . A história de Azur e Asmar é disfarçadamente armada para fazer ponte com a atual relação entre europeus e africanos/árabes. Ela é antes de tudo um filme sobre descobertas. Sobre abrir a cortina que esconde a beleza de uma cultura e desvendar seu colorido,sua estranheza e complexidade.
(Sinopses organizadas por Laura Juliana Nery graduanda em Pedagogia (UFRB) )

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