Silvana Lima
Professora do Centro de Formação de Professores
No mês de abril a mostra Alma Nordestina conta com exibições voltadas para a temática Nordeste e suas múltiplas culturalidades, abordada em contraposição à uniformização do Nordeste e do nordestino importada pela mídia.
Vai de encontro ao discurso homogeneizador, próprio do sistema econômico dominante, o capitalista, que é cotidianamente alimentado e reafirmado na negação das diferenças. Por isso, o debate em torno da diversidade cultural nordestina não deve acontecer desvinculado do contexto que engendra a concentração de riquezas, as disparidades socioeconômicas, o processo migratório, o não acesso à escolarização, etc, considerando as diversas dimensões da sociedade, tais como a econômica, a política, a cultural e a ideológica no âmbito das diferenças de classe, como bem diz o poeta:
“Bem só pode estar o sol
que ninguém alcança
haja no mundo o que houver
o sol lá nem se balança
enquanto a fortuna dorme
a desgraça não descança”
(filme O homem que virou suco)
É nesta perspectiva que as exibições articulam cultura popular, poesia, música numa crítica ao modelo hegemônico fundado numa sociedade divida em classes e onde a classe dominante subjuga econômica e ideologicamente a classe dominada, ação própria do modelo civilizatório ocidental e urbanocêntrico.
“Tem gente que vem do Norte
só causa decepção
tu és mestre da safedesa
lesma da criação
conhece tua bravura
puxa saco do patrão”
(filme O homem que virou suco)
07/04 e 08/04
Narradores de Javé - Brasil, 2003. Direção: Eliane Caffé
A noticia da construção de uma usina hidrelétrica que deixará Javé submerso, alvoroça a rotina dos habitantes do pequeno povoado. Na esperança do vilarejo ser tombado como patrimônio histórico, os moradores resolvem narrar os grandes acontecimentos históricos locais. Porém, o único habitante letrado e capaz de registrar as histórias contadas é Antonio Biá, um habitante controverso... 14/04 e 15/04
Cinema, Aspirinas e Urubus - Brasil, 2005. Direção: Marcelo Gomes
Em 1942, no meio do sertão nordestino, dois homens vindos de mundos diferentes se encontram. Um deles é Johann (Peter Ketnath), alemão fugido da 2ª Guerra Mundial, que dirige um caminhão e vende aspirinas pelo interior do país. O outro é Ranulpho (João Miguel), um homem simples que sempre viveu no sertão e que, após ganhar uma carona de Johann, passa a trabalhar para ele como ajudante. Viajando de povoado em povoado, a dupla exibe filmes promocionais sobre o remédio "milagroso" para pessoas que jamais tiveram a oportunidade de ir ao cinema. Aos poucos surge entre eles uma forte amizade.22/04 e 28/04
O Homem que virou suco - Brasil, 1979. Direção: João Batista de Andrade
Deraldo, poeta popular recém-chegado do Nordeste a São Paulo, sobrevive de suas poesias e folhetos até que é confundido com operário de uma multinacional que mata o patrão na festa em que recebe o título de operário-símbolo. O poeta passa a ser perseguido pela polícia, é obrigado a trabalhar e perfaz então a trajetória de um migrante na grande metrópole: a construção civil, os serviços domésticos, o metrô, a humilhação, a violência.

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