Mostra:
Cinema nas 3 Lagoas
ago/2010
À TERRA
Precisamos dizer a você, companheiro, uma coisa importante. Se você veio aqui pensando em ensinar nós que nós somos explorados, não tem precisão não, porque nós já sabe muito bem. Agora o que nós quer saber de você se você vai estar com nós, na hora do tombo do pau. (“Fala do camponês”. Pedagogia da Esperança. Paulo Freire)
Muito discutimos a respeito do papel da universidade nas comunidades rurais. Por que insistimos na hierarquização entre trabalho braçal e intelectual? Por que manter as comunidades rurais produtoras (não só de alimentos, mas também de conhecimentos) à margem das discussões? Do ponto de vista econômico, por que ainda tomamos o capital como ponto fundamental?
Parece que essa discussão seria totalmente desnecessária se tomássemos como ponto fundamental a vida e o compromisso com o outro. Em um mundo onde os seres (humanos e não humanos) são menos que as coisas (concretas ou virtuais). Em um mundo onde as coisas (concretas ou virtuais) valem muito mais do que um suspiro (apaixonado ou não), cá estamos a reafirmar a importância de relembrarmos às nossas práticas diárias dentro e fora da Universidade alguns dos porquês (institucionais e pessoais) de nossa existência.
O acesso ao conhecimento e a produção de novas formas de se pensar a vida, não pode ser artigo de luxo, assim como não podemos manter a esperança no céu e a dignidade nos aterros sanitários.
A Liberdade da Terra não é assunto de lavradores. A Liberdade da Terra é assunto de todos quantos se alimentam dos frutos da Terra. Do que vive, sobrevive, de salário. Do que não tem casa. Do que só tem o viaduto. Dos que disputam com os ratos os restos das grandes cidades. Do que é impedido de ir à escola. Das meninas e meninos de rua. Das prostitutas. Dos ameaçados pelo Cólera. Dos que amargam o desemprego. Dos que recusam a morte do sonho.
(Pedro Tierra: A Fala da Terra)
Andreia Barbosa dos Santos . Professora do CFP/UFRB
Júlio César do Espírito Santo. Professor da Universidade Federal de Ouro Preto
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11/08: Escola Municipal Dr. Armando da Silva Libório- 18:30hs
Kirikou e os animais da floresta
França, 2005. Direção: Michael Ocelot. Livre
Apesar de bem pequenino, o precoce Kirikou é extremamente inteligente e nunca se deixa abater pelas dificuldades da vida. No primeiro filme, ele salva sua aldeia da terrível bruxa Karaba. A saga prossegue nesta continuação: Karaba ainda quer destruir a aldeia do pequeno africano, lançando sobre ela as mais diferentes pragas, feitiços e maldições, nesse filme, o avô de Kirikou, o minúsculo menino africano de cabelo moicano, conta quatro histórias sobre seu neto em que o garoto utilizou sua astúcia para solucionar diferentes problemas envolvendo a vida na sua aldeia, formada em sua maioria por mulheres, idosos e crianças.
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18/08: Escola Municipal Dr. Armando da Silva Libório- 18:30hs
As aventuras de Azur e Asmar
França, 2006. Direção: Michel Ocelot. Livre
Os meninos Azur e Asmar foram criados juntos pela mesma mulher, Jenane. Azur é loiro e tem olhos azuis, além de ser filho de um nobre. Asmar tem olhos e cabelos pretos, sendo filho de Jenane, ama-de-leite que cuida de Azur. Eles cresceram como se fossem irmãos, até serem separados, quando Jenane parte com o seu filho. Asmar cresce ouvindo as histórias da mãe sobre a lendária fada dos Djins e, quando adulto, decide partir à sua procura. É quando Azur e Asmar se reencontram, agora não mais como irmão, mas como rivais na busca da Fada.
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25/08: Escola Municipal Dr. Armando da Silva Libório- 18:30hs
Vida de inseto
Estados Unidos, 1998. Direção: John Lasseter .Livre
No mundo dos insetos, as formigas são manipuladas pelos gafanhotos, que todos os anos exigem uma quantia de comida. Se as formigas não cumprirem essa exigência, os gafanhotos ameaçam atacar o formigueiro. Mas, em um certo ano, houve um problema com a “oferenda”. É quando Flik, uma formiga cansada de ser oprimida, sai em busca de outros insetos dispostos a ajudar o formigueiro a combater os gafanhotos.
Breves notas sobre a Mostra realizada em Três Lagoas.
O bairro das Três Lagoas localiza-se na zona rural da cidade de Amargosa/BA. Como grande parte dos bairros e localidades afastados da zona urbana das cidades do interior do Brasil, vive em meio à falta bastante acentuada de equipamentos sociais de todas as ordens. O nome Três Lagoas é bastante recente. A comunidade antes denominada Gramiá via nesse termo um tom bastante pejorativo, sendo esse um dos fortes motivos para a mudança do nome do bairro. No bairro das Três Lagoas residem muitas crianças, jovens e mulheres. Ali se destacam algumas lideranças, como D. Santa, famosa por seus conhecimentos ligados à cura pelas ervas e sua relação com a religiosidade afro-brasileira, conhecimentos estes transmitidos para seus filhos que, junto a ela, comercializam raízes e plantas na feira que acontece aos sábados na sede do Município. É também D. Santa uma das principais responsáveis pelo humilde, porém animado, samba-de-roda da comunidade e pela abertura de um espaço vinculado à Umbanda.
As três exibições realizadas na comunidade contaram com uma excelente participação do público. Idosos, jovens, crianças (entre elas bebês de colo) e adultos compareceram massivamente às exibições que foram contando com um número cada vez maior de pessoas. Diante das noites frias, pessoas levaram seus cobertores e se emocionaram com as três animações exibidas durante a Mostra. Sempre que a equipe do Cineclube chegava à escola onde foram realizadas as exibições, era rodeada por crianças e jovens que, entre abraços, beijos e folheto na mão repetiam em uníssono o nome do filme da noite.
Vale destacar, também, a colaboração da direção da escola municipal onde aconteceram as exibições, que prontamente apoiou a iniciativa auxiliando na divulgação, promovendo um ambiente agradável (oferecendo, por exemplo, pipocas durante as sessões) e fornecendo funcionários – porteiros, merendeiras – que permaneceram até o final das atividades e colaboram na organização do espaço e no contato com a comunidade.




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